Catedral

HISTÓRIA DA CATEDRAL DIOCESANA DE NOSSA SENHORA DA GUIA


A primeira igreja de Patos foi a capela de Nossa Senhora da Guia. Sua construção aconteceu em data de 1772 em terreno próprio doado pelos generosos casais Paulo Mendes de Figueiredo e Maria Teixeira de Melo, João Gomes de Melo e Maria Antunes. Este patrimônio de terra tinha o valor de cento e vinte mil réis, e sua escrituração oficial foi executada aos 26 de março de 1766. Sua área atingia os sítios Patos e Pedra Branca.

Por vários anos esta capela pertenceu à Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, do município e comarca de Pombal. O sacerdote que lhe dava assistência religiosa residia lá. Terminada a construção da mencionada capela, o povo começou a construir também, pouco a pouco, suas residências em derredor da mesma igreja. em curto espaço de tempo estava formada a pequena povoação que deu origem a esta grande e hospitaleira cidade de Patos.

O povo católico zelava muito bem pela ordem e progresso de sua igreja. Muita gente frequentava este pequeno templo religioso e participava ativamente de suas promoções em qualquer época do ano. A devoção a Nossa Senhora da Guia foi crescendo e se divulgando sempre mais na vida dos sertanejos paraibanos. Localizada numa situação geográfica privilegiada como esta, tinha todas as condições favoráveis para atingir, com bastante rapidez, toda a população da região.

Diante dessa realidade, não foi necessário muito tempo para se pensar na possibilidade da elevação da mencionada capela à categoria de Paróquia. Certamente que alguém tomou a iniciativa de levar avante tão feliz ideia. Com certeza, o Vigário da Paróquia de Pombal apresentou tal plano à autoridade competente, no que foi logo atendido. E assim, com apenas 16 anos de bom funcionamento, a citada capela foi promovida a Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Guia aos 06 de outubro de 1788. Naquela época, a Diocese era a de Olinda, cujo Bispo era Dom Frei Tomaz da Encarnação Costa e Lima, o 10º a ocupar o governo diocesano. O primeiro vigário a dirigir os destinos espirituais da recém-criada Paróquia foi o Revmo. Sr. Pe. José Inácio da Cunha Souto Maior, que permaneceu nesta função até 1796.

Patos não parou de crescer e sua população foi aumentando sempre mais. Pouco a pouco, foi se notando que a igreja Matriz ia se tornando muito pequena para abrigar os muitos fiéis de Nossa Senhora da Guia que frequentavam assiduamente o templo sagrado. Mesmo nas celebrações ordinárias da vida paroquial, o espaço da igreja já se tornava insuficiente para receber todo o povo que procurava delas participar.

Um filho de Patos, Vigário da própria terra, o Revmo. Sr. Pe. Joaquim Alves Machado, começou a se preocupar com tal questão. Demolir a igreja antiga não era possível. Tratava-se já de uma obra histórica para o povo de sua comunidade paroquial. Certamente, depois de longa pesquisa e muito debate, foi encontrada a melhor solução para o caso em apreço. Construir uma outra igreja mais ampla e em outro local da cidade para que os devotos de Nossa Senhora da Guia tivessem um ambiente mais favorável para a vivência comunitária e litúrgica de sua fé cristã e católica.

Assim, com a devida permissão do Bispado de Olinda, o Pe. Machado fez a bênção solene e lançamento da Pedra fundamental do novo e segundo templo católico de Patos no mesmo local onde hoje se encontra a atual Catedral da Diocese. Grande multidão de fiéis participou desta cerimônia religiosa que se deu aos 22 de outubro de 1893.

Não se sabe ao certo o tempo gasto em tal construção. Possivelmente, houve dificuldades financeiras para se levar à frente obra tão importante e necessária para o bom funcionamento da vida paroquial. Mas não faltou o esforço do Vigário e o povo soube colaborar, com generosidade para tão sublime finalidade.

Temos notícia de que a nova igreja, em 1906, já estava em condições de funcionar. Foi quando o novo templo passou a ser a Matriz da Paróquia de Nossa Senhora da Guia e a igreja antiga foi dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

Portanto, a atual igreja da Conceição serviu de Matriz da Paróquia durante mais de 100 anos (1788 a 1906). Tem uma valiosíssima folha de serviço prestado ao bom povo desta terra das Espinharas no que diz respeito à sua vida religiosa. Os nossos antepassados desta região receberam a semente do Evangelho, foram orientados em sua vida cristã naquela igrejinha que assistiu Patos nascer e crescer até os dias presentes.

Com o funcionamento da nova Matriz da Paróquia, Patos teve um novo impulso em sua expressão religiosa. Admirável foi o atestado feito por Dom Moisés Coelho, 1º Bispo da Diocese de Cajazeiras, por ocasião de sua primeira Visita Pastoral a esta Paróquia no período de 3 a 9 de outubro de 1917. A grande procura dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia por parte de pessoas de todas as classes sociais, o elevado número de crismas, o excelente comportamento do povo na igreja em todas as cerimônias religiosas, foram as notas mais importantes e positivas que o Pastor deixou escritas no livro do Tombo da Paróquia.

A nova Igreja Matriz nunca chegou a ser forrada. Não possuiu bancada e o piso era de cimento. Certamente as dificuldades financeiras não permitiram que houvesse coisa melhor neste assunto.

Patos não parou de crescer. Sua população aumentava com rapidez e intensidade admiráveis. E a nova Igreja Matriz da Paróquia ia se tornando bem pequena para atender ao grande público que a procurava por ocasião das festas religiosas da comunidade. Tal realidade tornava-se mais grave com o trabalho zeloso e dinâmico dos últimos Vigários que por aqui passaram, a frequência do povo crescia sensivelmente, trazendo este problema para vida da comunidade paroquial.

Enquanto a Igreja da Conceição funcionou por mais de 100 anos como Matriz da Paróquia, com a nova Igreja não aconteceu a mesma sorte. Sua existência não chegou a quatro décadas. Foi o patoense Pe. Joaquim Alves Machado que idealizou e concretizou a construção

da segunda Igreja de sua terra. Coisa semelhante aconteceu com relação à terceira Igreja edificada nesta cidade. Desta vez, a sorte recaiu sobre a pessoa do corajoso, inteligente e admirável Pe. Fernando Gomes dos Santos.

Pe. Fernando Gomes viu e sentiu claramente a necessidade da construção de um templo mais amplo e decente para sua terra natal. O progresso material da cidade era uma realidade incontestável. O aumento populacional era inegável. E a Igreja não podia fugir a esta situação. Começou então uma catequese muita intensa junto ao povo local visando convencer a todos neste ponto. Publicou artigos em jornais, escreveu cartas abertas à comunidade, provocou reuniões e debates com associações religiosas e grupos representativos da comunidade, usando assim de todos os meios postos ao seu alcance para conseguir o plano em apreço. Constituiu comissões de divulgação e arrecadação de donativos para tão valiosa obra. Muitos planos e sugestões lhe chegaram de pessoas as mais variadas. As opiniões divergiam muito. Alguns não aceitavam que a atual Igreja fosse demolida. Outros sugeriam que a nova Matriz fosse construída no mesmo local.

Depois de longas e muitas discussões sobre a matéria, chegou-se à conclusão de que não havia local melhor para tal construção do que aquele em que foi realmente feita tal obra. A segunda Igreja de Patos foi totalmente destruída para ceder lugar a esta majestosa e bonita Igreja, hoje, transformada em Catedral de nossa Diocese.

O lançamento da Pedra fundamental da nova Igreja realizou-se aos 2 de junho de 1940. Aqui foi iniciado o trabalho que só parou quando a obra estava concluída. Depois de tudo começado, nunca faltou o apoio moral e material à pessoa do estimado e respeitado Vigário, Pe. Fernando. A estas alturas, ele já tinha conquistado a simpatia e confiança de todo o seu rebanho. O trabalho caminhou num ritmo tão acelerado que em 14 de setembro de 1942 já foi colocada a custódia na torre da nova Igreja, gentil oferta do Sr. Custódio José Pessoa, e em 30 de novembro do mesmo ano foi inaugurado o relógio da mesma torre, generosa doação dos 9 sócios do garimpo de São Vicente, pertencente, àquela época, ao Município de Piancó.

 Para algumas pessoas desta cidade, a construção da Igreja de Nossa Senhora da Guia foi a maior obra realizada por Pe. Fernando em sua terra. No campo religioso. Pela grandeza desta obra e rapidez com que foi realizada, pode-se ter uma forte ideia do quanto o povo amava a pessoa e apoiava os planos do seu grande Vigário. Mesmo sendo filho da terra, pela firmeza de suas convicções, pela seriedade de seus atos, pela grandeza de sua dedicação para com a Igreja, projetou-se bem diante de sua gente. Conseguiu se impor diante dos conterrâneos. Para tão grande Vigário, Nosso Senhor reservou as honras episcopais. Eleito Bispo para a Diocese de Penedo, Alagoas, aos 4 de abril de 1943, recebeu a Ordenação episcopal na Igreja por ele mesmo construída com tanto zelo e amor sacerdotais. Até hoje, foi o único Bispo sagrado nesta Igreja.

Em 1850, por iniciativa do Revmo. Pe. Zacarias Rolim, então Vigário da Paróquia, foi feita a pintura geral interna da Igreja com a Via Sacra e demais quadros que a ornamentam. O artista que fez este trabalho chamava-se José Lima. Até hoje, tudo se tem feito pela boa conservação desta pintura, verdadeira obra de arte.

(Pe. José Lopes Sobrinho)

A partir de 1945 e até o ano de 1950 foram realizados os trabalhos de pintura da parte interna da Catedral, onde estão verdadeiras obras de arte, dentre as quais a Via Sacra, constituindo uma das maiores belezas culturais da região Nordeste. O artista convidado para realizar o trabalho residia na Capital Pernambucana e chamava-se José Lima. O mesmo teve formação artística na Itália, foi irmão franciscano, seminarista, chegando, inclusive, a fazer curso teológico. O referido pintor, que contava com a ajuda da esposa, trabalhava mais à noite e durante a madrugada. Outra curiosidade é que as pinturas do teto foram feitas no próprio local, sendo que o apoio era fixado em armações de madeira, em alguns momentos com o corpo deitado. José Lima que sofria de surdez, após concluir os trabalhos voltou para o Recife, posteriormente seguiu com destino a São Paulo e nunca mais foi localizado, acreditando-se que o mesmo tenha falecido. Ele chegou a ser procurado pelo Padre Levi Rodrigues, que objetivava pintar a Igreja de Santo Antônio, sem qualquer roteiro conseguido. Fala-se ainda de uma pequena participação de Zezinho Pintor, da cidade de Patos, nos quadros mais próximos ao solo, oportunidade em que o patoense de saudosa memória teria aprimorado parte dos seus conhecimentos no campo da arte. (Damião de Lucena Lima)

 

Apesar de tão bela e de ser uma sede episcopal desde 1959, a Igreja de Nossa Senhora da Guia só foi dedicada em 07 de agosto de 2009, por ocasião do Jubileu Áureo Diocesano.

 A Dedicação do Templo é uma prática muito antiga nos ritos litúrgicos tanto no judaísmo do Antigo Testamento quanto no cristianismo, seja oriental seja ocidental. Trata-se de uma Celebração Eucarística na qual o Bispo Diocesano consagra o templo, declarando publicamente que aquele edifício é exclusivo para o louvor a Deus através das ações litúrgicas. No ritual da dedicação, semelhante à uma ordenação, há uma ladainha invocando todos os santos; imposição das mãos e prece solene, unção do altar e das paredes com o santo crisma e revestimento do altar com novas toalhas. Há também a aspersão das paredes; deposição das relíquias de um santo (na Catedral da Guia: S. Terezinha de Jesus); incensação do altar e da igreja; iluminação com quatro ou doze velas nas colunas do templo e ornamentação do altar com flores.

Em vista da dedicação, o então pároco da Catedral, Pe. Expedito Caetano da Silva, promoveu uma grande campanha junto ao povo de Patos para que fosse feita uma grande reforma que concluísse nas comemorações do Jubileu Diocesano. Graças à generosidade dos fiéis que participaram da campanha “Sou catedral! Sou dez!”, além de uma nova pintura externa, algumas alterações e aprimoramentos foram realizados na Catedral da Guia: a grade da comunhão, que era aberta e curvada para fora do presbitério foi invertida dando-lhe mais espaço; foi construído um novo altar de mármore no primeiro piso, ficando mais próximo da assembleia; nas laterais do altar foram colocadas novas cadeiras para os padres que agora ficam voltados para o altar, facilitando a concelebração. Também uma nova cátedra foi erguida mais ao fundo do presbitério, facilitando os ritos de ordenações. Nesta nova sede foi inscrita a frase latina: “Pasce oves meas” = “Apascenta minhas ovelhas” Jo 21,16; o batistério (fonte batismal) foi colocado na lateral direita do presbitérios; ventiladores foram substituídos por moderna climatização; e todas as pinturas internas da igreja estão ainda sendo restauradas.