Carta ao povo de Deus

“[…] ouça o que o Espírito diz às Igrejas”. (Ap 3,13)

Na história da salvação a escuta vem a ser possibilidade de atenção aos apelos divinos, cuja manifestação se dá por meio dos clamores de quem anseia por libertação (Ex 3,7). O grito de quem sofre tem que ser transformado em profecia (Lc 19,40) e a escuta a ele vem a ser manifestação do Espírito (Ap 3,13). Diante dos sofrimentos do tempo presente, em que à margem se encontram tantas pessoas caídas, a própria Igreja deve se sentir questionada em sua missão, especialmente quando a boa notícia esperada vem a ser o socorro imediato a tantas feridas (Lc 4,18s). É pela escuta ao caído que, impulsionado pela força do Espírito, parte-se ao seu encontro, a fim de incluí-lo enquanto preferido do Pai e amado pelo Filho, que se manifesta em tantos rostos sofredores (Mt 25,31ss). E, uma vez incluídos, passam a ser membros da caravana de Jesus: Caminho, Verdade e Vida, que nos leva ao Pai. (Jo 14,6).

É diante desta dinâmica de escuta, que o Papa Francisco convoca a Igreja a entrar numa dinâmica de Processo Sinodal e convida a todos os fiéis a um profundo envolvimento na primeira fase da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema é “Para uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”. Tal participação se dará a partir de cada Igreja local, que oportunizará espaços de fomento à conversão sinodal e pastoral.

Diante dos grandes desafios, transformações e mudanças de época, somos convocados como Igreja de Deus a vivenciar um rico e necessário processo sinodal de escuta, diálogo e revisão do nosso caminhar, tendo como fonte primeira a nossa identidade trinitária, exemplo de perfeita comunhão, e como horizonte, vivenciar coletivamente, sempre mais e melhor, a missão do Cristo ressuscitado que nos foi confiada como seus discípulos.

O documento preparatório do processo sinodal reafirma que todos os batizados “são sujeitos ativos de evangelização” e que os pastores “não devem ter medo de ouvir o seu rebanho.” Enfatiza ainda o referido documento: “O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja no terceiro milênio. O nosso caminhar junto é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como povo de Deus peregrino e missionário.”

Como pastor diocesano, devo ser o primeiro a acreditar e a responder positivamente a essa convocação da igreja universal. Animado pois pela força do Espírito de Deus que nos une, nos anima e coloca em movimento, convoco a todos os meus irmãos no sacerdócio, a todas as pastorais, movimentos, comunidades, ministérios e a todas as forças vivas de nossa diocese de Patos a nos engajar nessa grandiosa tarefa.

Que a Senhora da Guia, venha a nos encorajar neste processo de escuta e nos ajude a ir ao encontro de quem está em tantas periferias, a fim de que ouçamos os sussurros do Espírito.

 

Dom Eraldo Bispo da Silva
4º Bispo Diocesano de Patos

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