Festas Juninas e Religiosidade Popular

A fé católica historicamente está marcada pela oficialidade da Igreja com as suas normas, seus valores litúrgicos e suas riquezas de doutrina e muitos outros valores. A Catolicidade da Igreja é um dos seus princípios que lhes garante estabilidade e unidade.

Não podemos negar que, sem perder o caráter oficial como instituição sólida e depositária de um imensurável potencial, a Igreja é também uma realidade que se supera a si mesma quando se vê presente em diversas expressões religiosas que não se dão dentro de sua prática mais sistemática. Podemos chamar esta realidade de “Religiosidade Popular” – Esta consiste na forma com que o povo simples demonstra sua fé e sua espiritualidade. Historicamente o povo sempre foi católico, mas não podia usufruir das práticas oficiais da Igreja devido às distâncias e escassez de padres que eram os únicos que podiam suprir as necessidades e obrigações religiosas e sacramentais do povo. Daí a necessidade popular de manter a sua “catolicidade”. As devoções aos santos, à Virgem Maria, as ladainhas, o Santo Rosário ou o terço, as novenas e outras expressões foram de certa forma incentivadas pela própria Igreja. Em alguns momentos houve um afastamento que tornou a Religiosidade Popular algo carregado de elementos profanos ou no mínimo, pouco religiosos, por exemplo, a prática da bebida alcoólica, danças e outros costumes que não combinam com uma espiritualidade de mais santidade. Também se fortaleceu na religiosidade popular uma certa mistura de elementos -Sincretismo Religioso – que em muitos casos contradizem a doutrina cristã-católica. As superstições, alguns pontos de espiritismo, magias  foram fazendo parte desta “religiosidade”. A verdade é que o povo simples se manteve muito religioso e ensinou as gerações que nasciam muitos valores de fé originados da sabedoria bíblica, mesmo quando não tinham acesso à sagrada Escritura. Nossos antepassados passaram para os seus descendentes valores cristãos, orações para as várias situações da vida: posso lembrar algumas: “Com Deus me deito, com Deus me levanto, com a graça divina e o Espírito Santo”, “ Livrai-me São Bento de todo bicho peçonhento”, “ São João dormiu São Pedro acordou vamos ser compadre que São João mandou”. E assim muitos rezavam e até se consideravam batizados usando rituais deste tipo. É muito comum encontrar pessoas “batizadas na fogueira de São João”.

Temos neste mês de junho os festejos populares de Santo Antônio, São João e São Pedro. A Igreja tem na sua liturgia uma atenção especial por estes santos, mas o povo independentemente das celebrações litúrgicas da Igreja realiza as suas devoções e os seus pedidos e fazem comidas e bebidas e muita festa em torno de suas comemorações, como por exemplo, “as fogueiras de São João”. Tudo se realizava antigamente com muita pureza cultural e religiosa, mas em nossos dias tudo está muito perigoso, uma vez que a indústria da festa, da música, invadiu os espaços da cultura local, sufocando-a e anulando as expressões próprias do povo, a música de origem. Acrescentando que nas festas assim realizadas estão muito presentes os perigos das drogas, do alcoolismo, da prostituição e de todo tipo de violência. O nosso sonho é que as famílias não tenham a sua alegria e sua paz interrompida por atos que são desrespeitosos e contra a vida humana.

As comunidades alimentam a sua fé através da devoção sincera aos seus padroeiros e em torno do exemplo destes Santos que viveram a intimidade com Deus elas procuram viver conforme os seus exemplos e sua santidade. Que São João aquele que preparou a chegada de Jesus e nos mostrou o Cordeiro de Deus, convidando a todos para a conversão, nos ajude para que possamos acolher a Palavra de Deus e ser profetas no nosso tempo contra todo tipo de injustiça e pecado. São Pedro que foi escolhido por Jesus com a missão de cuidar da sua comunidade, do seu rebanho, fortaleça as nossas comunidades na fé. Que Santo Antônio com seu exemplo de caridade e serviço aos pobres nos ensine o amor e a dedicação a todos aqueles e aquelas que tanto necessitam da nossa atenção e que ele abençoe os nossos jovens namorados, os casais e as famílias.

Dom Eraldo Bispo da Silva – Bispo Diocesano de Patos-PB

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