Homilia do Bispo Diocesano na Abertura da Porta Santa

DIOCESE DE PATOS

Catedral Nossa Senhora da Guia

Patos – PB, 16 de Dezembro de 2015.

Dom Eraldo Bispo da Silva

Bispo Diocesano

Reverendíssimos Presbíteros e Diáconos

Diletos Religiosos e Religiosas,

Autoridades presentes e demais membros do Povo Santo de Deus,

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de espera vigilante do Senhor o nosso coração pronuncia com o Salmista que nos ajuda a rezar nesta liturgia: “Que os céus lá do alto derramem o orvalho, que chova das nuvens o justo esperado!”. Este desejo se faz presente em nossa vida e queremos manifestá-lo com palavras simples – “vinde, Senhor Jesus!”. Estamos sedentos das riquezas do tempo messiânico, isto é, tempo de fartura dos bens espirituais e de condições que tornam o projeto de Deus uma realidade. O profeta Isaías no texto que ouvimos – cap. 45 – nos assegura o Senhorio de Deus sobre a vida humana.  O Deus que cria, cuida e faz tudo crescer de forma abundante, é o Deus da vida para todos. Este mesmo Deus bondoso, justo nos convoca à conversão quando diz: “Povos de todos os confins da terra, voltai-vos para mim e sereis salvos, eu sou Deus e não há outro”. O Deus que está perto (Emanuel), o Deus que Salva por amor e se mostra compassivo e misericordioso para com o seu povo.

O Texto do evangelho cf. Lc. 7,19-23 mostra Jesus sendo perguntado sobre sua identidade, pois a dúvida era “és tu o messias ou devemos esperar outro?”. A resposta de Jesus àqueles que foram enviados com a missão de voltarem com uma resposta não foi uma teoria ou mesmo uma fala, um discurso mas o fez por meio de suas obras – curando os doentes, libertando dos espíritos malignos e recuperando a vista aos cegos. Jesus mandou que voltassem e contassem a João o que viram e ouviram. Em Jesus Cristo, o Reino de Deus se concretiza por meio destas práticas a serviço da vida plena para todos. Em Jesus, o Deus da compaixão age, cura e liberta,  eis o tempo da salvação. Eis o orvalho que se derrama sobre a terra, eis a chuva das nuvens sobre a humanidade.

Querido povo de Deus, a celebração de hoje é de júbilo, de alegria e de exultação espiritual.  No contexto do Jubileu extraordinário da Misericórdia que iniciamos solenemente nesta noite em nossa Igreja particular na diocese de Patos, o nosso coração necessitado de Deus, fica pleno de renovada esperança no Senhor.  O Santo Padre o Papa Francisco escreveu uma carta chamada “Misericordiae Vultus” para proclamar um Ano Santo com o tema da Misericórdia de Deus. Ele nos diz que “Jesus é o rosto misericordioso do Pai; podemos dizer que quem vê Jesus, vê o Pai, Misericórdia e compaixão. Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado. (MV 2). O Papa João XXIII em uma de suas homilias por ocasião das celebrações do concílio Vat. II,  disse que a Igreja precisa usar mais a misericórdia como remédio do que a severidade.

Meus irmãos, a prática da Igreja tem sido ordinariamente proclamar  um Ano Santo num período de  cada  25 anos por ocasião de algum evento  como por exemplo o Ano Santo da redenção,  jubileu do ano  2000, etc. Este jubileu da Misericórdia é extraordinário e temático, pois  o Santo Padre em sua sensibilidade de Pastor sentiu como a humanidade está necessitada como nunca de misericórdia, de reconciliação. No mundo das guerras, das atitudes de intolerância religiosa, política e ideológica onde a crise mais do que econômica é a crise dos valores fundamentais da vida humana. Temos uma crise de valores. O lucro e a ganância estão se impondo como valores essenciais e as consequências se manifestam nas práticas como corrupção, extermínio da vida (de modo particular da Adolescência e Juventude), o desprezo dos valores religiosos, intolerância religiosa que gera morte, o terrorismo, o descaso para com a ecologia, a casa comum de todos, a violência generalizada, a banalização da sexualidade como valor cristão e humano e outros tantos desvios. Constatamos, portanto que o mundo tem sede de Deus.

“A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que por meio dela deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa. A Esposa de Cristo assume o comportamento do Filho de Deus, que vai ao encontro de todos sem excluir ninguém. No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas e desafiá-las a encontrar novamente a estrada para regressar ao Pai, devem irradiar misericórdia”. (MV 12)

Este Jubileu da misericórdia nos apresenta duas atitudes a serem assumidas por toda a Igreja. Primeiro aceitar a verdade de que Deus é misericórdia e compaixão que vai ao encontro dos que caíram não para elogiar ou confirmar o pecado, mas para salvar, para curar, para redimir. A segunda atitude é assumir como tarefa-missão este jeito de Deus em nossos relacionamentos, na família, na igreja e na sociedade. Igreja que sai para encontrar-se com os caídos, feridos, as ovelhas perdidas, desorientadas, atingidas pelo seu próprio pecado e pelos pecados da sociedade. A Igreja Samaritana é a Igreja que compreendeu a finalidade da missão de Jesus mediante o Mysterium encarnationis – Deus amou tanto o mundo que enviou o seu filho único.

O Sumo Pontífice pede à Igreja para redescobrir o valor e a prática das Obras de Misericórdia corporais e espirituais.  Cuidar dos pobres materialmente falando e dos pobres espiritual-moral e humanamente. Aqui, penso em nossa Igreja diocesana, em nossas comunidades com tantas realidades que clamam por vida, por dignidade e muitos não o fazem por falta de uma consciência esclarecida sobre a própria condição em que estão mergulhados. Temos uma missão, devemos alimentar, dar de beber, vestir, mas também conscientizar, profetizar para que as estruturas injustas e corruptas sejam superadas por um projeto que valorize a vida plena para todos. Penso em nossas pastorais sociais (Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa idosa, Pastoral carcerária, pastoral da sobriedade, Fazenda da Esperança, casa da misericórdia), em nossos serviços que, embora tímidos, são sinais de que é possível um mundo melhor, mais humano. Peço a todos os agentes de evangelização que não deixem morrer esta semente de esperança.  Continuemos na busca do ser Igreja a serviço, solidária, missionária e peregrina da misericórdia.

Somos convidados ao passar pela porta Santa a abrirmos o coração para a misericórdia de Deus e ao mesmo tempo transmitir aos demais este rosto da bondade e da compaixão. Jesus é a porta e queremos entrar por Ele, com Ele e n’Ele, pois só assim beberemos na fonte e  poderemos atender ao seu apelo que diz “Sede Misericordiosos!”. Sejamos misericordiosos nos nossos trabalhos, em nosso convívio para que ao nos verem as pessoas , principalmente aquelas que por algum motivo se desgostaram da Igreja, se refaçam motivadas pelos gestos sinceros de reconciliação.

Este gesto na catedral é de grande importância.  A porta santa da misericórdia da nossa diocese é solenemente aqui  nesta Igreja mãe. Para favorecer maior acesso aos benefícios do ano Santo teremos outras portas chamadas de Portas da Misericórdia nas Igrejas de Piancó, Teixeira, Princesa, Taperoá, Malta, Santa Luzia – Já temos as datas previstas para a bênção da porta da misericórdia nestas igrejas. Elas serão lugar de peregrinação, para reconciliação, encontro espiritual e assim oportunidades de receber os favores da misericórdia de Deus que chamamos de Indulgências. O Papa Francisco ressalta que “O Jubileu inclui também o referimento à indulgência. Esta, no Ano Santo da Misericórdia, adquire uma relevância particular. O perdão de Deus para os nossos pecados não conhece limites. Para receber as indulgências faz-se necessário a peregrinação ao lugar Santo, a confissão, a oração pelo Santo Padre e a prática das obras de misericórdia. A valorização e a prática do Sacramento da confissão será o grande sinal de que acolhemos este rosto de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, permitam-me mencionar neste contexto  jubilar a alegria e a nossa ação de graças a Deus pelos 50 anos de Ordenação presbiteral do nosso querido e amado Monsenhor Severino, ou Padre Severino  ou para muitos ,simplesmente Padre “Si”. É uma longa caminhada, e olhando para o Sr., Padre Severino, não precisamos de muitas palavras para entender que a sua vida é como uma vela sobre o altar que vai se consumindo e brilhando para que todos vejam melhor a realidade da vida e do próprio Deus. Muito obrigado Padre Severino pelo seu testemunho de vida e de zelo pela Igreja, pelo Reino de Deus a serviço de nossa diocese, de todos os irmãos e irmãs. Juntamos a este ato jubilar a nossa gratidão ao Padre Espedito e ao Padre Pedro Custódio que há 25 anos foram ordenados presbíteros e com alegria têm servido à diocese de Patos sem medirem esforços no cumprimento da missão. Também estes irmãos testemunham a alegria da vocação e a beleza de entregar a vida pela causa do Reino. Muito obrigado Padre Espedito e Padre Pedro Custódio e que Deus continue derramando as bênçãos necessárias para o cumprimento de sua missão até o fim.

Irmãos e irmãs caminharemos de forma jubilosa até a solenidade de Cristo Rei de 2016 experimentando as graças deste ano Santo que iniciamos. Convido a todos e todas para que façamos deste jubileu uma oportunidade de Bênçãos para a nossa Igreja e para toda a sociedade destinatária da compaixão e da misericórdia de Deus.

Concluo, pedindo com as palavras do Santo Padre que assim se refere à Virgem Maria Mãe da Divina Misericórdia: “Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus” (MV 24).

Desejo que este Ano Santo seja fonte de Vida e Salvação para todos e todas.

Amém!

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