Os Padres do deserto

Os Padres do deserto foram monges eremitas e cenobitas que viveram no deserto do Egito a partir do séc. III. Entre eles o mais conhecido é santo Antão ou Antônio, o grande. Nascido de família cristã, ainda jovem, vende tudo, dá o dinheiro aos pobres e inicia o caminho da retirada: primeiro no cemitério, depois mais na periferia, entra no deserto e, à medida que se fortalece espiritualmente, aprofunda-se sempre mais no deserto.

Será o grande Antão do Egito que irá orientar os eremitas localizados na região central. Em seguida, também no deserto, surge Pacômio de Tebaida, o fundador do cenobitismo, isto é, do monasticismo primitivo.

Vamos ver suas moradas, onde se alojam como mortos em seus sepulcros.

Vejamos sua bebida, que está sempre misturada com suas lagrimas,

Vejamos sua mesa, sempre coberta de ervas selvagens,

Olhai as pedras que eles põem sob a cabeça…

Se um ladrão os avista, ele se lança no chão para venerá-los,

Eles esmagam com os pés toda sorte de serpentes…

Moram em cavernas e nos ocos dos rochedos como em belas câmaras.

As ervas selvagens são seu alimento costumeiro.

Vão errantes pelos desertos com as bestas ferozes, como se eles próprios fossem feras.

Voam sobre as montanhas como os pássaros.

Pastam com os bichos selvagens como os cervos.

Sua mesa está sempre posta, sempre coberta,

pois se alimentam de raízes e de ervas que o sol produz naturalmente.

(LACARRIÈRE, 2002, 177-178).

Os eremitas viviam no deserto, muitas vezes com os animais, como fazia Antônio o Grande. Outros procuravam viver perto de uma igreja, ou de um forno, ou de um poço. Os cenobitas ocupavam mosteiros ou pequenas locas de pedras, troncos de arvores, entre penhascos e abismos. Seja em montanhas, seja em cavernas, em um tronco de árvore, encontramos esses monges.

Assim vão surgindo os sábios padres do deserto. Paulo de Tebas, Antão, Macário, o grande, Evágrio Pôntico, Diádoco de Fótico, Marcos, o eremita etc. Esses primeiros eremitas e muitos outros são responsáveis por estabelecer a tradição do ascetismo e da contemplação monástica no deserto do Egito.

Esses monges do deserto tinham um estilo de vida bem diferente da vida de uma pessoa comum. Viviam em constante oração, em vigílias, de jejuns intensos, na castidade e na privação física, submetendo os seus corpos a duras penas. O deserto então passa a ser habitado por esses monges piedosos que buscam imitar a Cristo acima de tudo, num estilo de vida extremamente radical, renunciaram a si mesmo por causa do Reino de Deus realizado em Jesus Cristo.

Amauri Rodrigues de Souza

Seminarista da Diocese de Patos

Paróquia N. Sra. da Conceição (Imaculada-PB)

4º Ano de Teologia no Seminário Arquidiocesano da Paraíba

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